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Por que o Sul e Sudeste lideram o IDEB — e o que o Nordeste está fazendo certo

Análise com dados do INEP · RankingEscolas · Maio de 2025

Olhar o ranking de estados pelo IDEB é encontrar, quase sem surpresas, o mesmo padrão de sempre: Santa Catarina, São Paulo e Paraná no topo; Maranhão, Pará e Amapá na base. Essa regularidade existe há 16 anos de medição.

Mas a história é mais complexa do que parece. O Ceará — um dos estados mais pobres do Brasil — virou referência nacional em gestão educacional. Pernambuco criou um modelo de escola em tempo integral que influenciou políticas federais. E dentro de cada estado, há municípios do interior que superam capitais ricas. O IDEB regional diz muito — mas não tudo.

O ranking dos estados em números

IDEB 2023 — médias das escolas públicas estaduais e municipais. Ver ranking completo →

#EstadoAnos Iniciais
Top 5 — maiores IDEB
1Ceará6,6
2Paraná6,5
3Goiás6,1
4Espírito Santo6,1
5São Paulo6,3
Bottom 5 — menores IDEB
23Sergipe4,7
24Bahia4,8
25Amapá4,6
26Rio Grande do Norte4,7
27Roraima4,7

Fonte: INEP/MEC — médias das redes públicas por estado, ordenadas pela média nos Anos Iniciais.

O mapa do desempenho por região

Sul e Sudeste

SC, SP, PR, RS, MG
  • ·Maior IDH e renda familiar per capita
  • ·Redes estaduais com maior orçamento por aluno
  • ·Menor desigualdade social — menos alunos em situação de vulnerabilidade extrema
  • ·Tradição histórica de valorização da educação formal
  • ·Maior concentração de escolas federais e técnicas de alto desempenho

Centro-Oeste

DF, GO, MT, MS
  • ·Distrito Federal puxa a média para cima com rede pública bem estruturada
  • ·Goiás e Mato Grosso do Sul têm desempenho intermediário, acima da média nacional
  • ·Alta presença de migrantes do Sul e Sudeste levou práticas de gestão mais eficientes

Nordeste

CE, PE, PB e outros
  • ·Ceará lidera o Nordeste graças a décadas de política educacional consistente
  • ·Pernambuco tem avançado com escolas de referência em tempo integral
  • ·Estados mais pobres como Maranhão e Piauí ainda estão bem abaixo da média nacional
  • ·A desigualdade entre municípios dentro de cada estado é enorme

Norte

PA, AM, RO, RR e outros
  • ·Dispersão geográfica dificulta acesso e permanência na escola
  • ·Alta proporção de escolas ribeirinhas e rurais sem infraestrutura adequada
  • ·Menor orçamento por aluno nas redes estaduais
  • ·Desafio de transporte escolar em territórios imensos com poucos alunos por escola

O caso Ceará: o que um estado pobre pode ensinar ao Brasil

O Ceará é o caso mais estudado de melhoria educacional do país. Em 2007, o estado tinha um dos piores IDEBs do Nordeste. Em 2023, lidera a região e supera estados com PIB per capita muito superior.

O que o Ceará fez de diferente:

Municipalização responsável: O estado transferiu responsabilidade e recursos para os municípios, mas com contrapartidas claras de desempenho. Municípios que melhoram recebem mais recursos; os que não evoluem recebem suporte técnico intensivo.

Formação intensa de professores alfabetizadores: O Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) formou milhares de professores do 1º ao 5º ano com métodos estruturados de alfabetização. O resultado foi uma das maiores melhorias de literacy do país nos Anos Iniciais.

Bonificação por resultados: Professores e gestores cujas escolas atingem metas recebem bônus financeiro. É um modelo controverso, mas o Ceará mostrou que, bem implementado, gera engajamento sem os efeitos perversos vistos em outros contextos.

Continuidade de política ao longo de décadas: A maior vantagem do Ceará pode ser a mais simples: a política educacional foi mantida por diferentes governos durante mais de 15 anos. Em educação, continuidade supera qualquer reforma pontual.

O que o ranking de estados não captura

O IDEB médio de um estado é uma síntese — e toda síntese esconde variância. Alguns padrões importantes que o ranking estadual não mostra:

  • ·

    Municípios do interior Nordestino que superam capitais do Sul: Sobral (CE) tem IDEB nos Anos Iniciais consistentemente acima de 8,0 — mais alto do que a maioria dos municípios de São Paulo. Um estado com IDEB médio baixo pode ter municípios excepcionais.

  • ·

    Capitais com desempenho muito abaixo da média estadual: Em vários estados do Nordeste, o interior tem IDEB mais alto do que a capital — porque as redes municipais do interior são mais bem geridas do que a rede estadual que domina as capitais.

  • ·

    Efeito composição: proporção de escolas federais: Estados com mais campus de IFET têm vantagem no IDEB médio que não reflete a qualidade da rede estadual. Minas Gerais, por exemplo, tem muitos IFET e Cefet que puxam a média para cima.

Perguntas frequentes

Quais estados têm o maior IDEB do Brasil?

Consistentemente, os estados com maior IDEB são Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Nos Anos Iniciais, Santa Catarina e São Paulo costumam disputar o topo. Entre as escolas federais, o resultado é mais distribuído pelo país.

Por que o Sul tem IDEB mais alto?

Vários fatores se combinam: maior IDH e renda per capita das famílias, redes estaduais com mais recursos e melhor gestão, menor desigualdade social, e tradição histórica de valorização da educação — influência da imigração europeia, que trouxe a escola como prioridade comunitária.

O Ceará é realmente um caso especial no Nordeste?

Sim. O Ceará é o caso mais estudado de melhoria educacional no Brasil. A partir de 2007, o estado implementou um modelo de gestão com transferência de responsabilidade para municípios, bonificação por resultados e formação intensa de professores. O resultado foi um salto expressivo no IDEB, tornando o Ceará referência nacional apesar de ser um dos estados mais pobres.

Os estados do Norte têm o menor IDEB do Brasil?

Em geral, sim. Pará, Amazonas e Amapá costumam registrar os IDEBs médios mais baixos, especialmente nos Anos Finais e Ensino Médio. Fatores como dispersão geográfica, dificuldade de acesso às escolas, menor IDH e alta rotatividade de professores contribuem para esse resultado.

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